terça-feira, 10 de novembro de 2009

Vergonha

Tenho visto as propagandas sobre o "trabalho" do PMDB para a melhoria do Brasil e sinto-me no direito de dizer que isso é uma vergonha. Deve ser lembrado que os políticos do PMDB, assim como todos os outros políticos de outras legendas, recebem para fazer seus trabalhos e, devemos dizer, nem sempre sai grande coisa. Prova disso é que as reclamações sobre os políticos imperam, se não na TV, na internet que, ao que parece, é um “lugar” em que ainda existe certa “liberdade”.
Fica evidente que algo aparenta certos erros como, por exemplo, as defesas dramáticas do senador Wellington Salgado; políticos como Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos – próprios integrantes do partido – terem problemas com outros membros. Vendo essas propagandas, acabei por ter a falsa sensação de que os políticos do PMDB trabalham de graça, que não ganham nada. Ora, isso não passa de uma conversa que não faz nem boi dormir. É sabido que recebem, tal como os outros. É por isso que deveriam trabalhar e dar satisfações à sociedade que paga seus impostos para a manutenção de um aparelho que parece não funcionar como deveria, não dá o devido retorno.
A verdade é que o PMDB não passa de um partido normal... Não é pior nem melhor que os outros, suas ideologias não o diferem nem um pouco dessa dita esquerda na qual se constitui o PT, nem na direita do DEM. Se o PMDB e seus políticos fossem como é trabalhado no vídeo, que tem passado de intervalo em intervalo na TV, não precisaria de cargos para votar junto do governo ou junto do que parece ser o melhor para o país.
Sinto-me envergonhado por saber que entra ano sai ano, chega eleição e passa eleição, a educação é sucateada; mais impostos são criados; mais impostos são planejados e/ou retomados (não é o caso da CPMF?)... é por isso que acho uma verdadeira vergonha um partido ou político ter que fazer propaganda. Pois o lixeiro que passa todos os dias na porta da minha casa não precisa fazer propaganda para eu saber que ele trabalha. Quando, pelo contrário, ele começar a fazer tais propagandas, acabarei por questionar de onde tira tanto tempo livre, e justo ele, que trabalha muito e ganha pouco, ele que deveria ter tempo de sobra.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Mês

Basta uma chantagem. Desta forma, o toque, que deveria ser de graça, fica condenado ao uso de uma aliança de diamante oxigenado. Organismos opostos unidos. Dez e onze da 27 [que fique claro: não se trata de somatórios]. Separados e juntos, como cama e mesa; com vinho entornado; com os olhos embaçados. Obrigado por beber! Foi bom para você?

domingo, 1 de novembro de 2009

Não há vagas

O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão

O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras

- porque o poema, senhores,
está fechado:
"não há vagas"

Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço

O poema, senhores,
não fede
nem cheira


Ferreira Gullar in Dentro da noite veloz, 1975.