sexta-feira, 24 de julho de 2009

Tentar

Não tente entender. Ou entenda ou esqueça, ou esqueça... esquecer é sempre um recomeço, quase um lugar de onde tudo começa de novo e de novo, cem vezes se for preciso, mil vezes se for preciso, mais que isso se for preciso. Tentar, tentar nunca passa da segunda vez, nunca é recomeçar, é sempre guardar tudo e tudo e mais um pouco, na alma, no peito, para poder lembrar sempre e sempre que se está tentando e tentando, sem coragem para ousar vôos maiores, mesmo sem asas e porquês, pois recomeçar é assim, não exige explicações; e tentar, tentar exige entender e explicar e ser racional e isso e aquilo. E não é desejado tentar.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Um sonho qualquer

Que dias há que n'alma me tem posto um não sei que, que nasce não sei onde, vem não sei como, e dói não sei porque*, pois a alma é devassa e devora com seus dentes o que o pensamento tenta esconder e, não há o que se esconda dos sonhos, que apresentam pueris figuras de sorriso exposto e seios guardados, de boca pequena e mãos dadas... e desejo que se faz saber nas ruas, ruelas e avenidas que ligam o conhecimento ao leito de descanso, abismos que separam a mão da face não afagada, festejam apenas as meninas dos olhos de quem não pode nada mais querer.
Tempo, espaço e causalidade. Cor, som e fúria.


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*Luis Vaz de Camões

domingo, 12 de julho de 2009

Galear

Guardo em guardanapos os poemas e pequenos romances escritos, guardo para um dia não saber o que fazer. Sonho meu acordar dormindo... desta forma, confuso, pois é assim que acontece. Em meus sonhos as pessoas do passado renascem, livros amarelos surgem nas estantes com os preços mais impensados, e eu, eu surjo em meu caminhão. Mas sonhos são assim, sem sentido algum. Se tivessem sentido também não saberia dizer o que sentir. Saudações às saudades. Saudações às linhas confusas que saem de algum lugar. Todas as cacofonias são friamente calculadas.
Com o tempo livre, meu astral aparece em galerias e exposições de arte. Minhas mãos sempre seguram alguma taça com vinho, ou copo de plástico com cachaça envelhecida. Sentidos sem nexo em anexo.
O dia a dia é pior que os “Çonhos” [não é erro, não é por acaso]. Esculturas, gravuras, pinturas, fotografias e filmes... Vejo estrelas cadentes no brilho de lâmpadas e tão pouco consigo explicar os nebulosos nós que me fazem ver na madeira galáxias e órbitas. Aquarelas com cartões e costuras e as voltas ao mundo que podem ser dadas. Dadas, dados, de graça...
Vi o tempo passando em frente meus olhos e as horas me sorriram, mas isso é outra história.

sábado, 11 de julho de 2009

Apus

Tem dias que a gente se inspira e se põe a dizer frases curtas e catastróficas, tão catastróficas e profundas que nem fogo apaga do papel e nem chuva desmancharia na areia.
Quem se põe a “ouvir” conseguiria tirar da mente?
Isso já não sei dizer, hoje estou criando, não li nem ouvi nada além do vento sussurrando e “Voyage voyage” no rádio.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Vago

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Laerte - Piratas do Caribe. in Folha de São Paulo.