quarta-feira, 29 de abril de 2009

Fazer o que?

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Laerte - Piratas do Caribe. in Folha de São Paulo: desculpe-me, mas não sei a data.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Espaço

O mundo anda assim, meio do avesso... Sei muito bem de algumas coisas e, embora não queira falar de verdade, não há possibilidades de escrever resumidamente tudo o que se passa por aí. 
Memória! Se não falha a minha, já que não tenho uma (não uma que funcione com tanta "eficácia") bem que eu gostaria de falar de distâncias, anos luz, Km ou metros. Tanto faz, tudo tenta separar a humanidade. E você aí, você mesmo... queria lhe dizer que fazer saudade é fácil, quero ver é fazer calor. Se bem que não posso duvidar muito de certas magias e encantos. Sábado ou segunda, tanto faz? A gente se fala, a gente toma uns drinks, e pode até dormir sob a sombra de uma árvore por aí. Sempre esbarrando, sempre se castigando no olhar. Por que não aqui? Por que não perto de mim? Todos sabemos que esbarrões é o que mais acontecem, menos o que não foi feito sobre a pretensão de ser esbarrão, encontros... bem que meu horóscopo dizia que eu iria sofrer um acidente, e sofri, bati de frente! 
Tangível. Tenho apenas um lápis (delineador)... que não posso usar para desenhar Pocahontas alguma.
Pé no pé, mão na mão, nariz no nariz, língua na língua, boca na boca... pé-por-pé, atravessando a nova-ponte-nova, como a chegar ao fim do arco-íris para pegar o pote de ouro.
Muitas coisas podem ser concretas, mas estamos sobre o julgo da "Madeira de Lei", Seu Jorge e São Jorge por nós, quem será contra?

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Sobre a Pirataria

Não me sinto culpado por baixar músicas na net e posso dizer vários motivos que me levam a não sentir culpa.
Ninguém é uma ilha, o que um determinado músico compõe vem de suas experiências com o todo. Suas experiências possibilitam que sua composição seja rica, acaso algum músico vive em uma ilha afastada de homens e da convivência humana? E por acaso esse músico paga parte do ganho para aqueles que inspiram-no compor?
Outra forma interessante de pensar a "pirataria", é o fato de que as pessoas cada vez tem menos dinheiro, e a pirataria é uma forma de conhecer músicas novas além daquelas que só tocam na mídia. Vou explicar:
A mídia é manipuladora, mesmo sem o querer, como bem pode ser citado em "O discurso das mídias" de P. Charaudeau. Gastar apenas com o que a mídia (TV e rádio) apresenta, é deixar de conhecer boas formas de arte e cultura. Temos ainda, a triste constatação, que o artista é um dos que menos ganham, até pouco tempo atrás eram centavos por disco, imaginemos então que o compositor, que muitas vezes não é "o artista", ganha ainda menos. Que digam que quem faz sucesso.
Temos mania de gastar com aquilo que não nos fará arrepender, queremos sempre aquilo que será garantido, e essa garantia é o que se faz em forma de sucesso, principalmente pela mídia! Sim, sou mais um dos que acham que a mídia é uma forte
mas manipuladora, que faz o artista e, por muitas vezes renega a genialidade verdadeiros criadores. Lembrarei a todos que há menos de dois anos os roteiristas dos EUA entraram em greve, e sabemos quais foram as conseqüências. Então deixaremos as bandas e artistas de "rostinhos bonitos" compondo, veremos o que se tornará a música! Porque tenho certeza que "Bonadilho" algum consegue compor coisa que presta! Uma vez que compramos os cd's pagamos, automaticamente, impostos que, cada vez mais, não são investidos na cultura, do contrário estaríamos muito bem servidos.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Sobre o delineador de olhos

Trouxe em minha camisa social, a melhor maneira de construir castelos e reinados, onde "minhas vontades" se coroaram com coroas, cetros e tronos. Desenho sorrisos juvenis, faces, queixos, olhos... olhares. Desenho ponte-nova-ponte, o contorno de uma princesa "de olhos negros e íris cor de mel", ou de unhas vermelhas, ou talvez nem fosse princesa, fosse tigresa de pele de ouro marron... Caetano sabe lá, deve ter passado por isso.
Sei delinear contornos, com teus olhos, com lápis preso em sua cintura... "podemos sorrir, nada mais nos impede, não dá pra fugir dessa [nossa] coisa de pele"... Eu sei que ouvir músicas, nessa hora, não ajuda muito [quase nada], mas o silêncio constrange, e não sei usar o lápis para desenhar tuas mãos para tapar meus ouvidos.
Desenho um arco-íris em tons de cinza e preto e branco, desenho o vento correndo em: corredores e pátios e gramados e auditórios, até encontrar meu olfato sedento de sua imagem.
Conto contos de cantos mundo afora, desenho notas "cazuzais", minhas, suas, nossas... cazuzais:
Quando a gente conversa contando casos, besteiras, tanta coisa em comum, deixando escapar segredos, e eu não sei que hora dizer e tenho medo...
E o que eu preciso dizer é: hoje não solidão, vou retocar teu rosto, banhado por águas de Abril, olhando no fundo das meninas de teus olhos, e seguir delineando a imagem nos teus olhos, dos meus olhos, de você.

Entre Amigos

Poslúdio
É belo calar-se juntos, 
Mais belo rir juntos,
Sob a ternura de um céu de seda,
Encostados no musgo da faia,
Rir afetuosamente com amigos, riso claro,
E mostrar-se mutuamente dentes brancos.
Se faço bem, calaremos;
Se falo mal – riremos,
E de mais a mais faremos mal,
Mais mal faremos, mais mal riremos,
Tanto que desceremos ao fosso.
Amigo! Sim! Assim deve ser?
Amém! E até logo!

Sem desculpa! Sem recusa!
Concordem, alegres homens livres pelo coração,
Com este livro do absurdo
Ouvido e coração e moradia!
Acreditem em mim, meus amigos, não é maldição
Que me deixou assim em meu absurdo!
O que encontro, o que procuro –
Já esteve alguma vez num livro?
Honrem em mim os loucos!
Aprendam deste livro louco
Como a razão evolui – “para o absurdo”!
Meus amigos, assim deve ser?
Amém! E até logo!
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Nietzsche, in Humano, Demasiado Humano.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Sem voltas

Não sei como voltar
depois de atravessar as colunas
que sustentam gramados,
escondem lagoas,
e guardam o pôr-do-sol.
Meu corpo, meu corpo
foi tangido por sua pele,
de ébano e de graça.
Minhas roupas,
marcadas pela literatura das lágrimas,
não me permitem sentir outro perfume
que não seja o seu.
E minhas letras não sabem descrever
nada além da fuga dos olhares
em corredores,
em trânsito,
em filas,
ao comunicar.
Não sei como voltar...
não depois de recepções,
de abusadas demonstrações do querer.
Meu compromisso é cumprir promessas,
minha promessa é sempre voltar
ao tesouro que não cabe
em caixas de fósforos.

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Quanto falta para um milhão? Viçosa, cantarolando Santana (Oye como va) ao som de La, ra, La, ra...

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Sobre a língua

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Laerte - Piratas do Caribe na Folha de SP em 20/04/09

Liguística

Liguística

Tirar os brincos não é necessário,
abri o zíper não é necessário,
afagos são necessários,
roer as unhas não é necessário,
nuca a mostra, ah, nuca a mostra é necessário,
processos interativos, linguística aplicada, Saussure?
Interlocutor e enunciado?
Anuncio: língua na língua,
comunicação corporal,
corpo no corpo,
tudo inevitável...
meu discurso é meu corpo no seu...
o que é linguística?
Minha língua na sua língua,
minha língua no seu corpo,
proposições, suposições,
preposições, posições...
Meu papel social,
seu papel social,
é,
sermos nós,
singulares na multiplicidade de nossos gozos.
Aquém, além, aquém, além, aquém...

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XII EMEL -Linguística viçosa em Viçosa

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Partida

Estou de partida,
Vou me embora,
depois que juntar todos os cacos
partidos,
partirei...
Não tenho tempo, 
e nem quero,
para não me despedir
eu vou e vou... sem rumo 
e sem volta,
sem dar voltas no meu destino
a linha reta,
a estrada sem fim e sem começo
é minha guia.
Levo comigo orixás e patuas,
levo comigo queixas e elogios
da loucura à lucidês.
Eu vou, no meu rítmo
eu vou... pé por pé
Eu deixo saudades?
Eu deixo mágoas?
Não sei, tudo é imensidão

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Haikais

Ai cais do porto em que nem chego, nem saio...
donde me dirige o espírito
a sair voando, voando...
flutuando entre os desejos,
embebecido entre outros vinhos,
onde tinjo minha boca com os ventos que ventam
na janela das nuvens cinzas.
Entre pensamento e outro,
me desiquilibro
e caio lá de cima,
do alto dos teus seios,
velas do "quereres"...
Entre pelos e pente,
entre as penínsulas e costas,
tuas, tuas costas,
deitada na areia da praia
onde o mar espumoso cobre tuas nudezas,
tuas virilhas só minhas,
mas que deixa a vista o céu,
céu de tua boca,
cratera de nossas línguas.
Me deito na linha do horizonte,
me equilibando mais que bêbado em ruas largas,
e fico a te ver correndo pela praia,
tão nua,
tão minha,
tão ingênua,
tão...
e te quero assim como é,
e não fico a ver navios.