quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Tão bem e também, como nunca foi

É de se tratar de um apelo gentil, como bom alvitre, que a memória nos pregue certas peças: olhe bem, veja se Freud não tinha, e continua a ter, suas razões, se o esquecimento não tem seus prós. Trata-se de uma defesa bem tramada pelas malhas do subconsciente (?) não se lembrar do que ocorrerá há menos de um ano, das cartas pensadas e nunca escritas, das recebidas e nunca respondidas, nas escritas e nunca enviadas. É, como bon vivant, que nós (os homens) esquecemos das cores dos teus (das mulheres) batons, dos teus esmaltes, as cores e formas das tuas lingeries... dos planos para nos perder entre florestas e pedras, musgos e lamas. Isso tudo que tão bem faz para a memória: esquecer. Esquecer para voltar a viver, como outrora, nunca foi.

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