quinta-feira, 6 de agosto de 2009

O sancta simplicitas!

Falta ou excesso de inspiração, é isso! O caso é que esse conflito de idéias (ou falta de idéias), não tem permitido a escrita. Longe de tudo, não vejo no cais as pessoas acenarem com seus lenços.
O mesmo diferente de sempre, protegido por uma parede que impede aproximações de olhos vindos de outros oceanos, do castanho mar do desejo... Sem o agressivo tato para preliminares. Seria um tanto quanto ruim se esquecer como é fazer isso? Seria ruim não saber mais todos aqueles cortejos fúnebres de outrora? Pois assim tem sido, e não há explicações, nenhuma! Nem aquela, nem esta, nem...
Sem haver escrito, talvez por não ter sonhado. Ou será que não ter sonhado deriva-se do fato de não ter escrito? Ou ainda, estaria vivendo um constante sonhar ainda a trazer versos entre os dentes cerrados e citar a liberdade no auge de um latim não seu? É pavoroso pensar dessa forma, mas curiosidade e pavor se cansam, o mundo é um tanto quanto estranho, não há como explicar inspiração, escrita e a falta de acenos no cais, talvez no cais só existam palhaços, e já é sabido, a vida humana é sinistra e sempre desprovida de sentido; basta um palhaço para lhe ser fatal.

_________
Nietzsche in Humano, demasiado humano
et Assim Falou Zaratustra
Melosidade in Skank

2 comentários:

Marcelo Albinati disse...

A inevitável dúvida acerca do que difere sonho e realidade...
Nem mesmo a própria evolução é capaz de saná-la...
Parabéns... você escolhe as palavras certas... e elas fazem o que têm de fazer...

Natália disse...

Por que impedir a aproximação de tais olhos, vindos do "castanho mar do desejo"??? Não se sabe quais desejos esses olhos escondem, quais palavras nunca pronunciadas eles gostariam de ouvir, quais ânsias secretas eles desejam sanar...
Por detrás de uma máscara angelical há sempre algo de demoníaco, um mundo vermelho que precisa vir à tona, um ser insaciável que quer se libertar...
Preliminares??? Quem precisa delas????
Não há tempo para preliminares quando as máscaras anseiam pelo chão, quando se está disposto a mergulhar fundo em novas águas...