domingo, 12 de julho de 2009

Galear

Guardo em guardanapos os poemas e pequenos romances escritos, guardo para um dia não saber o que fazer. Sonho meu acordar dormindo... desta forma, confuso, pois é assim que acontece. Em meus sonhos as pessoas do passado renascem, livros amarelos surgem nas estantes com os preços mais impensados, e eu, eu surjo em meu caminhão. Mas sonhos são assim, sem sentido algum. Se tivessem sentido também não saberia dizer o que sentir. Saudações às saudades. Saudações às linhas confusas que saem de algum lugar. Todas as cacofonias são friamente calculadas.
Com o tempo livre, meu astral aparece em galerias e exposições de arte. Minhas mãos sempre seguram alguma taça com vinho, ou copo de plástico com cachaça envelhecida. Sentidos sem nexo em anexo.
O dia a dia é pior que os “Çonhos” [não é erro, não é por acaso]. Esculturas, gravuras, pinturas, fotografias e filmes... Vejo estrelas cadentes no brilho de lâmpadas e tão pouco consigo explicar os nebulosos nós que me fazem ver na madeira galáxias e órbitas. Aquarelas com cartões e costuras e as voltas ao mundo que podem ser dadas. Dadas, dados, de graça...
Vi o tempo passando em frente meus olhos e as horas me sorriram, mas isso é outra história.

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