Dentes de alho, cebolas cristalinas... cada coisa picada aos seus tantos, esperando a manteiga derreter, esperando para serem douradas como as garotas de Copacabana sob o sol de Janeiro.
A brasa esquenta... o alho picado cai, a cebola picada cai... um mais ou menos dourado que o outro, ambos esperando pelos cubos de tomate e pelas pitadas de orégano.
Cozinha que se preze tem isso, não faltam essas coisas. Ao fundo toca Madeleine Peyroux: "J'ai deux amours".
Filé fateado, fritando, borbulhando entre dentes e cristais, exalando cheiro que se sente lá da rua.
Quem se põe a "ler" a receita de (de que mesmo?)... nem saberá entender que receitas inexistem. Nem Ford sabia no que dariam suas receitas. Eu sei que tempo e tempero, aquecidos na panela, douram entre si e "aguam" a minha boca.
Um dia tudo isso acaba, vou ficar com o cheiro daquilo frito, incrustado em minhas mãos.
Assim será, assim as darei (mãos).


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