domingo, 22 de março de 2009

Sobre delírios

É provável que envelheçamos pouco a pouco antes do anoitecer, cinzas de agosto na minha língua de dezembro. Pintas pintadas nas cores do teu sorriso amarelo veraneio. Nem tenho rimas que caibam nas palavras, palavras que sejam separadas por hifens do tamanho de abismos, abismos desenhados no contorno de cinturas e que crescem na distância do aproximar de duas.
Cinzas de agosto no gosto de teus lábios, que não provei por falta de respostas, por excessos de hifens, por deslumbre de contornos, por desenhos de tua cintura, por coragem que me falta, por ânsia e nervosismo que sobra. O vermelho sem fim dos meus olhos cria pontes com o sonhar acordado, ríspido e escandalizado. Fazem dos braços corrimãos de correr mão, e línguas, e pés, e calos, e peles e calos que não se calam, nem gritam à superfície de teus contornos.
Abismos entre a pele e o toque, timidez vestida por sorrisos desconcertantes.
Coração cheio de mar e deserto, caminho aberto para bocas abertas e olhos fechados. Coração cheio de mar e deserto, peito a aberto a rimas desfeitas.

1 comentários:

janaina de almeida disse...

Hum, gostei, bocas abertas,olhos fechados,duas pessoas em uma só.
Beijos.