Não haveria no mundo uma estranha conspiração? Quando o galo canta no meio da madrugada surge uma sensação de culpa por ainda não ter dormido. O medo por não estar seguro... Medo! Tanto e tantos, e quais, e como. “Tu que andas pelo mundo, tu que tanto já voou... tu que cantas, passarinho! Alivia a minha dor”.
Há algumas semanas tenho o medo deprimente de não ser bom o suficiente para escrever algo que preste. É grosseiro isso que direi, comparação grotesca: assim como muitas virgindades se perdem por mera curiosidade, muitas folhas continuam brancas, virgens e intocadas diante do medo que segura a caneta. Quem disse que não podem ser feitas comparações grotescas? E ainda mais que isso, por que isso tem que “prestar” tanto?
Faz bem aprender a ler nas entrelinhas. Nas frases em que palavras e letras não conjugam perfeição, que possamos desconstruir o que chamamos ou julgamos perfeito.
Ao mesmo tempo as linhas se somam e somem, se multiplicam e dividem entre elas a responsabilidade de tocar e “dizer” o que alguém gostaria de “ouvir”. Minha “dor” são minhas linhas.

