quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Irreversível

Não haveria no mundo uma estranha conspiração? Quando o galo canta no meio da madrugada surge uma sensação de culpa por ainda não ter dormido. O medo por não estar seguro... Medo! Tanto e tantos, e quais, e como. “Tu que andas pelo mundo, tu que tanto já voou... tu que cantas, passarinho! Alivia a minha dor”.

Há algumas semanas tenho o medo deprimente de não ser bom o suficiente para escrever algo que preste. É grosseiro isso que direi, comparação grotesca: assim como muitas virgindades se perdem por mera curiosidade, muitas folhas continuam brancas, virgens e intocadas diante do medo que segura a caneta. Quem disse que não podem ser feitas comparações grotescas? E ainda mais que isso, por que isso tem que “prestar” tanto?

Faz bem aprender a ler nas entrelinhas. Nas frases em que palavras e letras não conjugam perfeição, que possamos desconstruir o que chamamos ou julgamos perfeito.

Ao mesmo tempo as linhas se somam e somem, se multiplicam e dividem entre elas a responsabilidade de tocar e “dizer” o que alguém gostaria de “ouvir”. Minha “dor” são minhas linhas.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Sentimentos do mundo (meus) e etc.

Sensação irreversível

Como um cursor que pisca sem digitar uma primeira letra, minha caneta evita tocar o papel branco, barco que não atraca no cais. Minha escrita é como canta o Chico: “pedaço de mim, a metade amputada de mim (...) lava os olhos meus, que a saudade é o pior castigo”. Tenho saudades de quando sabia que o queria e ia escrever. Agora tudo é água turva, pedra no fundo do rio que não se deixa adivinhar. Quando vejo, o que era poema se tornou conto e a crônica letra de música. Encaro no espelho os olhos vermelhos que mudam de foco: tons mudam, curvas mudam, tamanhos mudam, dedicatórias mudam...

Escrita rebelde! A música e a harpa de Orfeu não me fazem dormir e as sereias me seduzem como nunca! Nunca pensei que encontraria uma escrita tão viva e sedutora. Escrita que virou canto de sereia, que virou canto de uma “baixa” e melodiosa forma... assim oh: ao pé do ouvido – para que ninguém se escandalize. Nunca vi poemas assim, escritos em folhas brancas, encharcadas por lágrimas. Poemas que não são meus e que invejo com a doce e boa inveja. A inveja que diz de sua poesia... que me completa mais que a minha. Como a amo!

Penso em tudo que escrevi... foi tão mesquinho que só me envergonho. Mas passa, passa essa pequenez e só sobra o que nós nunca vimos: as doces palavras que quero tirar a eternidade para ler. Darei (a mim) o direito de ser pessoal, de escrever com o “eu” da primeira pessoa, identidade tocada e encantada pelo poema que nunca antes fiz.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Por que o Espírito de Natal é tão materialista?

Ah o Natal! Quem não se lembra da infância, do ano que passou, do que ganhou ou deixou de ganhar? Claro que, possivelmente, pensamos em outras coisas... Mas é que as propagandas de Natal realçam tanto o lado materialista do espírito que nem Hegel daria conta [de tão chato que isso é].

Compre isso, dê aquilo, use, compre, use dê... compre porra caramba! A propósito, preciso de uma disqueteira nova. É automático, impossível não pensar. O incrível é a sensação de culpa, acho que é de tanto gastar o que muitos não têm. Depois disfarçamos com a conversa: “é época de alegria, que Deus nasceu e blah, blah, blah...”! Nada contra caridade, tudo contra a caridade para com nosso sentimento de culpa. Não é apenas no Natal que as pessoas tem fome ou frio. Freud deve explicar! Ou não...
Mas a pergunta que não se cala: Afinal, por que o espírito natalino é tão materialista? Pra que tanta propaganda? E olha que não funciona desligar a TV. Elas, as propagandas, te perseguem. Se lembra daquele filme “O Sexto sentido”? Vou pervertê-lo: é que “eu vejo propagandas mortas, por todos os lados”. Cada qual com seu fetiche...

sábado, 6 de dezembro de 2008

Além...


Minha casa é o avesso:
Troquei as telhas do telhado
Por teias de aranha,
Assim vejo as estrelas.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

A prosa do fim de ano

A melancolia de fim de ano está ao alcance de todos: “gotta do what takes ‘cuz it’s all in our hands we all make mistakes yeah... but it’s never too late to start again…”. Melancolia de fim de ano somada músicas juvenis não dá muito certo. Concordo com quem disser que Aerosmith era melhor antes de se vender as drogas, drogas de mídias.
Deve ser por isso que corro de ir a casamentos [não pela mídia, mas pela melancolia]. Toda vez que a noiva entra a gente pensa: será que ela não vai correr? Burra! E burro ele também (o noivo), se bem que aqueles padrinhos iam acabar o segurando. No fim do casamento, assim como nos fins de ano, a gente acha sempre que foi o mais bonito que já vimos. Deve ser por causa dos bombons.
Penso se um dia vou fazer isso. Prefiro, por hora, a melancolia dos fins e dos começos de ano enquanto solteiro; se bem que bombons de casamento são tentações; se bem que ainda posso os comer como convidado. Ponderações, quantas ponderações!
Quanto a música, ela colorsa bem o momento nostálgico que eu escrevo, quantas pessoas podem entender? Você poderia?
Para responder não: Você não entenderia, aperte Alt + F4. Se sim, se sim... “but it´s never too late to start again”. Não sei o que deve apertar, use sempre a imaginação. Não a mate!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Nem todos


Nem todos os poemas são escritos.
Alguns são vomitados,
Outros ainda são engolidos.
O meu poema, o que se segue,
É extensão de meu corpo.
Meus olhos devoram
com a simples palavra devorar.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Um brinde a mentira?

No Brasil, e em muitos países mundo afora, há uma premiação das muitos “especiais”. Aqui o intitulada “Profissionais do Ano” é responsável por premiar os mais mentirosos profissionais do mundo (para mim essas propagandas não passam de ilusões e mentiras televisivas). Tudo bem que falta paciência para a TV e em especial para as Telenovelas e propagandas. Isso pode ser entendido quando dizemos que os poetas [e talvez apenas eles] devessem ter o “direito de mentir”.

Algumas propagandas ultrapassam a mentira, configuram o crime: refrigerantes deixam de vender para vender a idéia de “dar uma pegadinha; cervejas que falam de mulheres, fórmulas químicas, tartarugas, caranguejos, de quadrados e redondos, mas não falam nada do produto em si. Não censuro, crítico. Da forma como são expostas tais propagandas, parecemos burros demais, afinal: quem é que vai tomar guaraná para sair falando “ah, moleque” ou para “dar uma pegadinha”? Que refrigerante é esse? Quem tomar e não dar uma pegadinha tem direito a reembolso? Se o que quer é ouvir mentiras, devemos procurar as melhores. Vamos desligar as TVs e abrirmos livros.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Carnaval e Natal na mesma balada

Aos poucos as músicas se convertem em seus refrãos. Quem sabe em uma "letra" inteira de música? Quantos sabem cantar seus refrãos? As músicas, aos poucos, se tornam marchas [intermináveis] de Carnaval. O que se canta tem tanto sentido quanto os programas das tardes de domingo. Mas que importa o sentido? O que importa é: fechar os olhos e não perceber o sentido.

Quando menos se espera você percebe vê em Agosto, ou ainda em Julho já rodando as propagadas e ouve os jingles de Natal. Tudo aquilo que "não conseguimos viver sem". Tem também as os jornais e suas interessantes reportagens: o uso de merda [lê-se merda mesmo] de renas como enfeites e decoração de Natal. Parece que jornalismo e propaganda garantem emprego a quem o quer: qualquer criança que não mata sua imaginação pode trabalhar na TV. As crianças não têm as "deformações" que o mundo sério dos adultos [exceto os artistas] implica em seus membros.
Aos poucos tudo se torna um extenso Natal, com músiquinhas carnavalescas...
Axé meu rei, axé minha rainha... Estão matando Caymmi outra vez. Agora é lei: o Carnaval começa na quarta de cinzas, o natal demora um pouco mais à começar, mas em 1º de Janeiro já começam os preparativos. "Exagerado, eu sou mesmo exagerado" adoro [para não dizer o contrário] versinhos rodados.

Educação de "qualidade" e de "graça"

.

desenho de algum estudante da UFSJ

E continua a greve no Campus Dona Lindu...
De alguma forma o governo deve achar mais fácil e melhor investir em presos e em penitenciárias
que investir em estudantes e escolas.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Lascas

Minhas unhas e tuas costas,
par perfeito que teu desejo não quer.
Se quer,
não me deixa saber.
A guisa à introdução da tua pele.
Teu corpo, cabelo e ... não sei
mais o que ...
começam e terminam,
começam e terminam.