Qual seria a verdadeira posição política? Se muitos dizem que "o pior analfabeto é o analfabeto político", cabe a pergunta: afinal o que é ser político? Ou politizado?
Não creio que político seja aquele que esta em um partido "x" e defende as ideologias decadentes desse partido, por acaso isso não seria deixar de pensar? Não seria ser ignorante político da mesma forma? Como ficamos? Pensaremos por nosso engajamento dentro da sociedade ou dentro de um partido com seus discursos cheios de intencionalidade?
Ao sermos fiéis à ideologias partidárias não é ajudar na manutenção da ignorância política? Muitos pensam que comungar com ideologias fracassadas é ser politizado... isso é balela.
Acham que um governador, presidente, deputado, ministro (ou o que seja) está fazendo um bom trabalho por ser do partido x ou y... isso é continuar na ingenuidade. Aquele que está dentro de um cargo por acaso não recebe para trabalhar? Ele não recebe diante dos impostos que a população paga? Se recebe, o mínimo que tem que fazer é trabalhar, e trabalhar muito! Por vezes uma pessoa mal come, mas se come está pagando impostos embutidos para a manutenção de um sistema com seus salários e status.
Por acaso um senador ou deputado que queira agir de uma forma diferente do que o resto do partido quer é visto com bons olhos? O que vai ocorrer se ele pensar por ele mesmo? Vai ser expulso do "amado e glorificado" partido!
Essa formação democrática que temos só faz com que as CPIs beneficiem determinados indivíduos que ocupam cargos públicos (alguns políticos de mesmo partido), que este indivíduos sejam ajudados pelos seus mui bem intencionados colegas que seguem o mesmo partido ou mesmo lado... e o lado do povo como fica? Foda-se o povo? O partido e seu ideal é mais importante? Assim que é certo?
Para muitos, os partidos são o braço que sustenta a posição messiância que ainda seduz, e portanto essa será uma coisa que se ouvirá por muitos anos...
Ficam aí ladrando sobre o partido x e o y e não notam que tudo é farinha do mesmo saco, que já se nascem sobre a tutela da manutenção do poder... Para que serve um partido? Isso é o que todos deveriam se perguntar, e quando acharem a resposta deveriam perguntar para que servem suas ideologias e onde elas nos levaram até hoje.
A profunda adequação ao agir partidário é a negação da identidade e o aceitar da objetivação concreta. É torna-ser dentro de um sistema mecanicista que usa de seus componentes para se manter.
Notem que não é distante a lembrança de pessoas que foram expulsas de partidos por não concordarem com mudanças partidárias...
Se o partido é a forma como as pessoas tem, dentro da democracia, para se elegerem, ele deveria se ater nisso... o partido não deve ser o seguimento das decisões sociais... A forma como é concebida hoje se tornou a negação do sujeito emancipado com sua consciência crítica. Na realidade, é dessa forma que se processam as mudanças formais para mudanças ontológicas...
Se antes a finalidade era a de visar os resultados públicos e sociais, e para tanto, usava-se a instituição “partido” para chegar até a finalidade, hoje a manutenção do partido e do poder se torno fim em si mesmo. Para isso os partidos conservam seus discursos intencionalistas e problema do social se os resultados públicos não aparecem, isso deve ser futilidade também, e se não for futilidade, os partidos devem pensar nisso como acidente: se conseguem fazer alguma coisa pelo social obtendo resultados públicos tudo bem, se não conseguem, não há problema uma vez que também não foi o realmente desejado. Será que é assim que deveria "funcionar"?
Acusam a visão crítica da sociedade [por sua inoperância] de desvio individualista, que seja... mas se esses seres, que forem tidos como individualistas, estiverem limpos dessas ideologias fracassadas, menos mal.
A consciência parte do singular, de um indivíduo e não de um coletivo partidário, ou de um grupo religioso... a consciência que venha partir de grupos, não é consciência, é ideologia que já nasce fadada a decadência e auto manutenção.
Aliás, não é em quem vão votar, é em qual partido vão votar... não vejo minha consciência suprimida só porque não me vendo à ideologias corrompidas...
talvez alguém possa se sentir despreparado para isso por causa de ideologias que colocam tal condição de incapacidade (como forma de auto-manutenção muito usada) na cabeça de quente se rende a ideologia. Ela é algo sobre natural, quase um ser vindo de deus, um messias... ah se não fosse a ideologia! Então o que é suprimir? Pensar individualmente ou deixar que pensem por você?
As pessoas continuam aderindo a essa estrutura decadente. Se um candidato que lhe aperta a mão e lhe dá abraços hoje ganhar amanhã, ele não deve ser visto como salvador da pátria... ele é empregado de quem vota nele, isso é algo que deve ser lembrado sempre! Quem paga os salários dele é o povo, ele não tem que se irritar com o povo por cobrar isso ou aquilo, do contrário ele não deve se candidatar querendo apenas salário ou servir-se do status a formular um status quo, algo que diga de permanência ontológica e não uma condição formal que é passageira.
O homem da pólis é o homem da cidade que tem contato com outros homens e com eles resolvem seus problemas por meios que seguiram desde as discussões da Grécia antiga até o formato político democrático que temos hoje. Mas quero voltar ao que você comentou, o sujeito que é partidário, e que segue cegamente as idéias do partido, parece ser apolítico, ele deixa de viver a sociedade para viver ideologias, como ele poderia ser político se esquece dos problemas da sociedade e deixa de pensar por ele próprio para seguir a pragmática dos partidos? Ou seja, como seria político se está fechado dentro de um mundo idealista?
partidário, por vezes, parece tanto mais apolítico que qualquer apartidário que seja... o cara que diz que detesta política hoje em dia, na realidade deve estar se referindo a politicagem pois, uma vez que vive em sociedade junto de outros homens, é um ser político... e aqui tomo as palavras de Aristóteles se referindo ao homem como um animal social, político...
Acho que isso é o mais interessante da política, a verdadeira política! Esquecermos certas idéias que temos como verdadeiras por descobrir que dentro de contextos diferentes, ou para pessoas diferentes essas idéias deixam de fazer sentido, desconstruímos conceitos para aprender que dentro de um todo existem conceitos ainda mais importantes, um partido ou um político não deve tomar as decisões para eles próprios, mas para a sociedade.
A primeira pessoa que admirei por causa de suas idéias foi Voltaire, acho que não existem palavras vazias ou argumentos tolos quando se toma suas palavra "posso não concordar com nada do que diz, mas defenderei até a morte o direito de dizer", e por mais que possa parecer estúpida as palavras de quem debate contigo, elas são muito válidas, esse é o espírito da verdadeira democracia.
Creio ser Rousseau tão genial quanto Voltaire... O Iluminismo trouxe grandes benefícios para a sociedade, porém, com a idéia do cientificismo veio nascer o positivismo... e toda a degeneração social.
Ao ler o Discurso sobre as ciências e as Artes de Rousseau, nota-se que ele já faz críticas a degeneração das ciências, das artes e da cultura desde Roma e Grécia antiga.
Tomar a história como algo morto é o que sempre me intrigou em pensamentos mitigados como muitos demonstram ter... O que você, eu, e outras pessoas vivem, são relações da gente com o mundo, e com fatos que ocorreram no passado.
Mantemos um vínculo fortíssimo com o que é histórico, e ainda bem que isso ocorre, seria uma grande barbárie deixar acontecer novamente coisas como Auschwitz e para que isso não torne acontecer, devemos pensar que para tal trabalho temos a história nos ensinando a partir de nossos erros.
Não sejamos politiqueiros!