Nesses dias de filmes europeus, tudo parece tão azul, branco e vermelho... não por acaso. A trilogia das cores do diretor Krzysztof Kieślowski é algo gigantesco dentro do que esperamos que chamem de vida... me lembra Nietzsche: "basta um palhaço para lhe ser fatal". Mas, por fim, o que seria um rato? Desses que roem e destroem? Julie deve se perguntar por isso... talvez a vida humana, para ela, seja sinistra e sempre desprovida de sentido, basta um rato para lhe ser fatal... A qual sentido deveria se prender? Abre mãos da riqueza e das músicas para se descobrir indefesa abaixo de qualquer mundo de água azul que faça esconder as lágrimas de seus olhos.
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Bleu
Nesses dias de filmes europeus, tudo parece tão azul, branco e vermelho... não por acaso. A trilogia das cores do diretor Krzysztof Kieślowski é algo gigantesco dentro do que esperamos que chamem de vida... me lembra Nietzsche: "basta um palhaço para lhe ser fatal". Mas, por fim, o que seria um rato? Desses que roem e destroem? Julie deve se perguntar por isso... talvez a vida humana, para ela, seja sinistra e sempre desprovida de sentido, basta um rato para lhe ser fatal... A qual sentido deveria se prender? Abre mãos da riqueza e das músicas para se descobrir indefesa abaixo de qualquer mundo de água azul que faça esconder as lágrimas de seus olhos.
domingo, 24 de agosto de 2008
Há sempre (ou quase)
"- Liberdade de pensamento!"
Foi o que gritou o louco...
Que a poesia pule desvairadamente como
a saliva das vozes incansáveis.
Sem canudinhos de refresco,
ou melhor, nada de refresco...
vamos aos oceanos das águas doces.
Ah voz, há vozes...
e pedras,
e luas,
e sonetos...
Concretudes, confortáveis que se empregam
nas pedras e nas calçadas,
das ruas
e dos suplícios,
e daquele muro...
em que escoramos para ver o tempo passar.
Basta lembrar!
Sempre chega a hora de nos despedirmos,
sempre chega a hora de nos abraçarmos,
rencontros sempre possíveis.
Certos poemas [de amor ou ódio]
nunca chegam ao fim.
março de 2006
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Olimpíadas? Aqui?
Não posso deixar de perguntar: como?
[lembremos] Estamos em um país que: não investe na educação, haja visto que a educação básica é um fiasco e as universidades públicas passam por reformas - REUNE - para dar oportunidades aos alunos de escolas públicas; não investe na saúde que, vez ou outra se encontra atacada por epidemias e surtos disso ou daquilo; investe no lazer e na cultura o que dariam outras escolhas e caminhos aos jovens...
Como um país de memória curta, que sequer se lembra dos acontecimentos políticos que antecederam as Olimpíadas, que é acometido por burocracias e infuncionalibilidades, onde impera corrupção, contravenção e as faces do desumano pode cogitar sediar as Olimpíadas?
"Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta..."
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Rumo ao mundo
Me parte o coração a partida de quem já não fica ou de quem não está.
Um beijo, um desejo... o caminho e a "matula". Estão arrumadas as malas, as sacolas, as mochilas e os sacos de linhagem.
Ah! Vou seguindo nesse caminho de pedras, ou torno o mundo mais humano ou transformo meu coração em pedra.
Como não acredito nas impossibilidades, o mundo será carnal, pois meu peito pulsa freneticamente ignorando os impulsos do nada...
"Sejamos realistas, façamos o impossível"(maio de 68)
sábado, 16 de agosto de 2008
Dorival Caymmi

Marina, você faça tudo mas faça um favor
Não pinte esse rosto que eu gosto
que eu gosto e que é só meu.
Marina, você já é bonita com o que deus lhe deu.
Me aborreci, me zanguei já não posso falar
e quando eu me zango, marina não sei perdoar.
Eu já desculpei muita coisa, você não arranjava outra igual
Desculpe, Marina, morena
mas eu tô de mal..."
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Vergonhoso
Não sei dizer, mais o que é e o que deixa de ser.
Em pleno séc. XXI, em uma loja em Belleville - Paris, pessoas põe à venda camisas com escritas anti-semitas. Como isso pode ser aceito? Como não é vergonhoso? Não se lembram da barbárie que "correu solta" em Auschwitz? E na barbárie não menos lastimável nos outros campos de concentração?
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
... São
Tuas virilhas são, onde o mundo começa,
e onde termina, termina meus primeiros
e últimos quereres.
Tuas virilhas são, aquilo que em meus sonhos
não sonho para não ter que acordar
entrelaçado nos lençóis.
Tuas virilhas são, o que minha caneta
não consegue desenhar, e que cede
aos meus lábios o desejo.
Se dorme com a janela aberta,
é em tuas virilhas, que o brilho da lua se esconde.
E se me nega-as [virilhas], eu me nego a você,
porque as desejei tanto quanto a ti.
Tuas virilhas são as pragas, as tormentas do mar,
as delícias e sabores que vão da boca
as pontas dos dedos,
das meninas do olhos
às plantas dos pés.
Tuas virilhas são, o pecado que um dia
eu quis,
as virtudes que hoje rejeito.
São, o que fiz e deixei.
Tuas virilhas são, aquilo que um dia
foi meu, me pertenceu,
e o que dei em troco de lucidez.
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Crônica mal dormida
- Bom dia meu velho, parece ter caído da cama.
- Bom dia, mas não é isso...
-Acordou cedo hoje. Veio até tomar café na padaria. Por acaso foi despejado de casa por não pagar as contas? Deu formiga no travesseiro? Desculpe a brincadeira, eu não resisti à sua cara de quem acordou depois de uma noite mal dormida.
-Acordar? Eu sequer dormi. Tive uma puta insônia, fiquei martelando romances e livros estupendos na cabeça.
-Está querendo virar romancista? Conta outra.
- Nesses dias de não sei o que, e que eu não sei mesmo. Eu até que gostaria de ser um desses romancistas, um dos bons, que acabam lidos em não sei quantos países, traduzidos em não sei quantas línguas.
- Ah meu velho...
-Já sei o que irá dizer: pretensão demais?
-Seria, não pensa assim?
-Pode até ser. Eu queria ser um desses que encantam só de pontuar uma frase. Mais ainda tenho que ler manuais de como escrever romance, ler as “Notas sobre literatura” de Adorno, quem sabe eu não tomo jeito pra coisa?!
-Mas que isso? Escrever dessa forma? Assim como se fosse algo comprado? Literatura não é assim que é feita, você pode até escrever um “diário de um vampiro”, mas daí a ser um romancista, é completamente diferente.
-É, sabe que você tem razão? Tem sim. Mas é que foram dias de leitura, e tudo o que eu queria era fazer aquilo que eu tanto gosto. E não sei como. Quanto aos manuais, é apenas uma piada. Não há manuais que façam alguém escrever.
-Ah, eu sei o que é isso... isso é tesão reprimido pela escrita. Você deve estar flertando demais com as linhas e não coloca o que sente em um papel. Há quanto tempo não escreve?
-Tirando os poemas?
-Sim e não. Não falava apenas de poemas, mas vá lá... me fale.
- Poemas até que eu tenho escrito, algumas vezes... alguns ensaios pesados, ou algo que fica entre o desejo de ser ensaio, e isso me fazem rir demais. Mas os poemas! Sempre conseguem sair. Acham buraquinhos nas janelas da alma e escapam, sempre escapam, de alguma ou qualquer forma...
- Hum, sei... continue.
- Pois bem, é que tenho lido coisas muito boas. Achei em certo momento que só os romancistas clássicos conseguiam escrever, tive muito prazer em ler certos livros, e me senti tocado por muitas das coisas que li, entende? Mesmo que na solidão, ou que aquilo que eu li me remeta à lembranças distorcidas e bárbaras, como bem disse Kundera: “as nuvens alaranjadas do poente iluminam tudo com o encanto da nostalgia, mesmo a guilhotina”.
- Isso já é um começo, nem bom nem mal, é apenas um começo. Não entenda como uma crítica, mas é que isso. Não significa que sua veia para a escrita seja tocada pela simples experiência de sentir o “não sei o que da nostalgia”. Mas me conta, o que tem lido?
- Ensaios, muitos ensaios. Perco a conta deles, nem lembrava do quanto eram desprovidos de amarras. Tem também alguns romances. Retomei a leitura de livros que tinha deixado esquecidos, não posso deixar de dizer dos poemas e crônicas. Li também umas cartas...
- Cartas? Como assim cartas? Cartas que você escreveu ou que te escreveram?
- Não, não... Cartas, mesmo... mas não para mim, nem para conhecidos. Cartas como as de Theo e Van Gogh, ou as de Lispector e Sabino... e de como é o nome daquele escritor?
- Não sei, o que ele escreveu?
- Ele escreveu “Morangos mofados”, é brasileiro...
- Ah sim, sei quem é, é ... Caio Fernando ...
- Isso! Caio Fernando Abreu.
- Conheço, é muito bom, li Morangos Mofados. É um bom escritor, foi premiado algumas vezes.
- Sim, tenho certeza disso.
- Mas, e então, você dizia o que mesmo?
- Ah, desculpe pela empolgação. É quando começo não consigo parar.
- Não há o que desculpar, mas é que fiquei curioso.
- Dizia que eu estava lendo Caio Fernando Abreu, uma carta que ele escreveu. Li ainda semana passada. Me deu a sensação de...
-De...?
-Não sei dizer.
-Confuso. Como assim não sabe dizer? Está surgindo aí “um furacão sobre Cuba”?
-É uma sensação de literatura não vendida. Algo que se sustenta pelo simples gosto e prazer da escrita.
-Não menos confuso, e o que tem ele com as tais cartas?
- É que como li algumas coisas dele, me senti bem. E me deu mais vontade de escrever, mas vontade não significa nada.
- Pode não significar, mas é um bom caminho. Não é nos Morangos Mofados que o Caio escreveu o trecho de uma música de Lennon e McCartney? Acho que se não me engano era “Strawberry Fields Forever”.
- É sim: “Let me take you down ´cause I´m going to strawberry fields nothing is real and nothing to get hung about strawberry fields forever”.
-E como me lembrar dessa música? Música realmente divina. Mas isso nem é hora de saudosismo. O que tem isso tudo com as tais cartas, ou os ditos romances?
-Não entende? É como tudo está ligado... Tal como o alaranjado do poente, tudo toca tudo. Música, romances... não sei... sei apenas que parece ser mesmo um puta tesão reprimido com a escrita. Tem vezes que não consigo pregar os olhos, e me deito, para contrariar a vontade de passar a madrugada toda escrevendo. Pela manhã, todas as idéias que tive parecem fruto de drogas, e parecem drogas.
-Sei, nunca tive isso. Exceto uma vez que passei a noite em claro pensando em como dar uma cantada em uma moreninha que fazia faculdade comigo. Ela sim, era um romance escrito em tons pardos.
-E eu achando que você estava me entendendo.
-Calma, é apenas mais uma forma de descontração. Me passa o açúcar por favor.
-Aqui está. Não sei como pode querer descontrair. Essa tensão passa pelo meu corpo todo, não vê que eu nem consegui dormir?
-Então joga essa tensão no papel, ou acha que a celulose não vai senti-la?
-Sei que vai, mas como? Como jogar isso no papel? Sempre fui bom com contas, esqueceu que me formei em engenharia? Nem sei como consegui ser tocado pela literatura. Tudo tão diferente.
-Você deveria gravar suas próprias palavras, não foi você quem disse que tudo toca tudo? Assim como o alaranjado nostálgico de não sei o que?
-É mesmo, eu disse.
-Então, está resolvido. Tudo toca tudo, experimenta tocar primeiro a caneta e o papel. Os morangos mofados podem te fazer cuspir na celulose alguma coisa no mínimo curiosa.
-Aí tem outro problema.
-Problema? Não vejo problemas aqui... Só sinto o cheiro do pão fresco.
-Sim problema. Pense bem, e seu escrever? Digamos que eu escreva. O que vão achar? E se não gostarem? Vão me condenar? Vão me ridicularizar? Isso é ainda mais terrível do que pensar em como tocar o papel.
-Sim, podem ou não gostar. Olhe bem aquele pudim dormido... Não lhe parece atraente?
-Sim, mas o que tem isso tudo com o pudim?
-Novamente devo lhe lembrar que tudo toca tudo? Da mesma forma que o pudim lhe chama atenção, parecendo saboroso, poderá parecer para outras pessoas um pouco nojento. Eu, particularmente, devo dizer que eu não comeria a broinha de milho. Parece sequer ser de ontem.
-Entendo. Deveria ter te encontrado ainda ontem, teria me poupado uma noite de sono... por favor. A conta por favor!
-Já vai? Sua angústia passou de uma hora para outra? Deixou de sentir as angústias de um violinista decadente.
-É, já vou... como você mesmo lembrou, vou para casa, se eu tivesse resistido menos, se antes eu tivesse tentado colocar tudo isso no papel... ah se eu tivesse... teria me poupado noites e olheiras.
-Vai para casa escrever? E o medo que sentia?
-Medo? Eu não disse que o deixei de sentir, só acho que o prazer vai ser maior que o medo. É um risco, nem que eu acabe escrevendo romances policiais de bancas de jornal. Mas o que vou escrever hoje... já tenho até o título, e não vai ser romance policial.
-Espero que não seja algo como “trocando broinhas de canjica por pudins mal dormidos”.
-Que nada, o exaspero existencial consegue ser maior que isso. Tolice sua ridicularizar meu eu lírico... como poderia? Tenho certeza que você não conseguiu dar sequer a cantada que pretendeu na morena com quem estudou.
-Me desculpe, não deveria ter feito chacotas. Só quis ajudar, além do mais...
-Além do mais, o inferno está cheio de boas intenções. E devo ir, afinal, tenho pressa de tocar a caneta e o papel. Não posso viver de pretensões. Não poderei se eu continuar parado, sem escrever. Nem que eu tenha que fazer com que o dia pareça madrugada, nem que tenha que escrever uma crônica mal dormida.
Paranóias
Ali a mulher,
ali a fruta...
A mulher pega a manga,
e em um gesto erótico se lambuza,
se suja,
e é mais mulher.
A mulher olha a banana.
Morde a banana com cuidado,
fecha os olhos,
e é mais mulher.
A mulher olhas as uvas,
é uma derrama, um banquete, um cacho.
A mulher vê a maçã, morde...
É o pecado? Mas qual deles?
Gula, ira, inveja...?
A fruta vê a mulher,
rola o tesão.
a fruta come a mulher,
a mulher come a fruta.
Paranóias.
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Novembro de 2003
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Deus salve América do norte
Algumas mulheres dão medo fazendo cara feia.
Algumas mulheres dão medo por serem quem são.
Algumas mulheres dão medo pelo que fazem.
Condoleezza Rice,
dá medo por...
ah escolham vocês mesmos,
para mim é o conjunto da obra.
"Desperta essa América Central"
[Deus salve a América do Norte também]
domingo, 10 de agosto de 2008
Abstracionismo
As palavras, as coisas
As coisas, as coisas...
Pegando em meu pé
não menos.
Na padaria
tardezinha.
Vai e senta em meu colo, ciúmes.
Ainda roçou beijo leve,
assim, como outro dia.
Esqueci
comentar
sábado,
muito bonita.
Tomara que caia... preto,
perfumada, toda, perfumada, toda...
Uma graça.
Esses dias sonhos,
tempestades, noivados,
bom, não bom, esses dias bom,
sem sonhos,
impossível
não dizer, dizer não...
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Março de 2006
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Chega de messianismo
Dentro do processo político brasileiro iniciado 1889 com a proclamação da república, fica evidente a ascensão do positivismo enquanto corrente de pensamento que passa a influenciar os moldes políticos do Brasil. Dentro desse pensamento positivista, destaca-se o culto aos resultados científicos,“progressistas” e messiânicos que estão presentes
A retomada democrática desde os anos 90 demonstra o quanto perdemos democraticamente (e da criticidade) por aderir aos moldes positivistas (e principalmente em razão do golpe de 64): mesmo com inúmeras privatizações, com o aumento da inflação e do custo de vida (no que se refere às altas dos preços de alimentos), nós brasileiros esquecemos de como criticar, dando sempre ênfase aos resultados e nunca às conseqüências. Isso se tornou um fardo que vem junto do sacrifício da sociedade para com as altas taxas de impostos (e a eterna espera da reforma tributária).
Quais seriam as formas de uma retomada crítica e consciente para uma real (social) democracia?
Quais sãs as ferramentas a serem usadas para sair desse mar de impunidade? Para sair desse marasmo para uma real democracia na qual o direito do povo e a busca seja a busca pela dignidade com a dignidade?
Como sair dessas influências que o positivismo implantou e que nos faz querer sempre resultados, tornando-nos cegos à certas coisas descabidas que ocorrem dentro da política e das decisões tomadas para as políticas econômicas e educacionais?
Não seria verdade que a forma como a política é realizada a faz obre um solo minado no qual morrem parasitas e nascem outros?
E porque não usamos uma das armas principais ao que se refere a consciência crítica ainda seja pouco usada?
O mínimo de questionamento feito à decisões políticas, trás consigo a alcunha oposicionista. Quem critica, é quem passa a sofrer críticas. Creio ser essa, uma forma com que o poder seduz e como as pessoas não gostam de enxergar os erros dos governante a quem elegem. Não penso que isso seja política... muito pelo contrário, é politicagem. Se eu fosse citar alguém em um momento destes, seria Padre Quevedo "Isso é charlatanismo".
A política vista nesse molde deixa de ser uma ciência para ser um conjunto decisões que usam da arte retórica para conquistar, e caberia a nós tomarmos ações que possibilitem a retomada de uma política feita por homens e afastada dos Gorgeadores. A política era feita para trazer benefícios aos homens em sua organização social e por isso pessoas se candidatavam a cargos públicos. Hoje o fim e o meio se inverterem, se elegem para que possam se manter. Fazer funcionar a máquina institucional que é paga pela "contribuição" da sociedade se tornou um acidente! Se ocorrer bem, se não o problema é do povo para o povo...
Dentro do processo democrático o ato de votar começa por ser obrigatório. Não seria tanto melhor se as pessoas decidissem se querem ou não votar? Ao menos os políticos teriam que demonstrar mais serviço se quisessem ser eleitos, porque comprar votos da metade da população sairia mais caro que trabalhar dignamente. Levando em conta a consciência e a revolta que as pessoas tem ao ver várias investigações de senadores, deputados, vereadores... aquele que não cumpriu o papel que se propôs ao se candidatar será eliminado nas urnas.
Os “políticos”, nada mais são que empregados do povo pois, é o povo que paga seus salários ao pagar impostos, e os políticos agem como se fosse patrões: São sempre “excelentíssimos”, senhores de respeito e as pessoas devem se curvar a eles. Aliás se curvar a quê? Por quê? Gastam rios de dinheiro com verbas "papel higiênico" e acham que o processo democrático é feito de tapinhas nas costas, apertos de mãos, piadas escrotas, etc. tudo, menos com o trabalho que são pagos para fazer.
O pensamento positivista se tornou um dos principais estorvos na democracia brasileira, sem contar a ditadura militar que fez as pessoas apenas receberem e a não questionar. Esse simples ato de reflexão ou da crítica que para muitos não representa nada, diz muito da sociedade. Em outros países a crítica se faz a principal ferramenta da democracia e da formação política. Creio ter sido diante da ditadura que ocorreu o maior retrocesso dentro da democracia brasileira, uma vez que a cidadania foi semi-amputada, e que faz entender que ser cidadão é pagar impostos e mais nada.
Devemos aprender a questionar e a criticar como cidadãos politizados, cobrar nossos direitos sabendo que os “políticos” (eleitos) são nossos empregados, não são salvadores messiânicos.
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Poema em pauta (Caetanear)
O quereresOnde queres revólver, sou coqueiro;
Onde queres dinheiro, sou paixão!
Onde queres descanso, sou desejo;
E onde sou só desejo, queres não!
E onde não queres nada, nada falta;
E onde voas bem alto, eu sou o chão;
E onde pisas no chão,
Minha alma salta: e ganha liberdade na amplidão...
Onde queres família, sou maluco;
E onde queres romântico, burguês!
Onde queres Leblon, sou Pernambuco;
E onde queres eunuco, garanhão!
E onde queres o sim e o não, talvez;
Onde vês, eu não vislumbro razão!
Onde queres o lobo, eu sou o irmão;
E onde queres cowboy, eu sou chinês!
Ah, bruta flor do querer...
Ah, bruta flor, bruta flor!
Onde queres o ato, eu sou o espírito;
E onde queres ternura, eu sou tesão!
Onde queres o livre, decassílabo;
E onde buscas o anjo, eu sou mulher!
Onde queres prazer, sou o que dói;
E onde queres tortura, mansidão!
Onde queres o lar, revolução;
E onde queres bandido, eu sou o herói!
Eu queria querer-te amar o amor,
Construírmos dulcíssima prisão;
E encontrar a mais justa adequação:
Tudo métrica e rima e nunca dor!
Mas a vida é real e é de viés,
E vê só que cilada o amor me armou:
Eu te quero e não me queres como sou;
Não te quero e não me queres como és...
Ah, bruta flor do querer...
Ah, bruta flor, bruta flor!
Onde queres comício, flipper vídeo;
E onde queres romance, rock'n roll!
Onde queres a lua, eu sou o sol;
Onde a pura-natura, o inseticídeo!
E onde queres mistério, eu sou a luz;
Onde queres um canto, o mundo inteiro!
Onde queres quaresma, fevereiro;
E onde queres coqueiro, eu sou obus!
O quereres e o estares sempre a fim,
Do que em mim é em ti tão desigual...
Faz-me querer-te bem;
Querer-te mal:
Bem a ti, mal ao quereres assim:
Infinitivamente impessoal;
E eu querendo querer-te sem ter fim!
E querendo-te,
Aprender o total...
Do querer que há;
E do que não há em mim!
Caetano Veloso
Poema em versos

Sonetos de Camões
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o Mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.Luís Vaz de Camões






