Dentro do processo político brasileiro iniciado 1889 com a proclamação da república, fica evidente a ascensão do positivismo enquanto corrente de pensamento que passa a influenciar os moldes políticos do Brasil. Dentro desse pensamento positivista, destaca-se o culto aos resultados científicos,“progressistas” e messiânicos que estão presentes
A retomada democrática desde os anos 90 demonstra o quanto perdemos democraticamente (e da criticidade) por aderir aos moldes positivistas (e principalmente em razão do golpe de 64): mesmo com inúmeras privatizações, com o aumento da inflação e do custo de vida (no que se refere às altas dos preços de alimentos), nós brasileiros esquecemos de como criticar, dando sempre ênfase aos resultados e nunca às conseqüências. Isso se tornou um fardo que vem junto do sacrifício da sociedade para com as altas taxas de impostos (e a eterna espera da reforma tributária).
Quais seriam as formas de uma retomada crítica e consciente para uma real (social) democracia?
Quais sãs as ferramentas a serem usadas para sair desse mar de impunidade? Para sair desse marasmo para uma real democracia na qual o direito do povo e a busca seja a busca pela dignidade com a dignidade?
Como sair dessas influências que o positivismo implantou e que nos faz querer sempre resultados, tornando-nos cegos à certas coisas descabidas que ocorrem dentro da política e das decisões tomadas para as políticas econômicas e educacionais?
Não seria verdade que a forma como a política é realizada a faz obre um solo minado no qual morrem parasitas e nascem outros?
E porque não usamos uma das armas principais ao que se refere a consciência crítica ainda seja pouco usada?
O mínimo de questionamento feito à decisões políticas, trás consigo a alcunha oposicionista. Quem critica, é quem passa a sofrer críticas. Creio ser essa, uma forma com que o poder seduz e como as pessoas não gostam de enxergar os erros dos governante a quem elegem. Não penso que isso seja política... muito pelo contrário, é politicagem. Se eu fosse citar alguém em um momento destes, seria Padre Quevedo "Isso é charlatanismo".
A política vista nesse molde deixa de ser uma ciência para ser um conjunto decisões que usam da arte retórica para conquistar, e caberia a nós tomarmos ações que possibilitem a retomada de uma política feita por homens e afastada dos Gorgeadores. A política era feita para trazer benefícios aos homens em sua organização social e por isso pessoas se candidatavam a cargos públicos. Hoje o fim e o meio se inverterem, se elegem para que possam se manter. Fazer funcionar a máquina institucional que é paga pela "contribuição" da sociedade se tornou um acidente! Se ocorrer bem, se não o problema é do povo para o povo...
Dentro do processo democrático o ato de votar começa por ser obrigatório. Não seria tanto melhor se as pessoas decidissem se querem ou não votar? Ao menos os políticos teriam que demonstrar mais serviço se quisessem ser eleitos, porque comprar votos da metade da população sairia mais caro que trabalhar dignamente. Levando em conta a consciência e a revolta que as pessoas tem ao ver várias investigações de senadores, deputados, vereadores... aquele que não cumpriu o papel que se propôs ao se candidatar será eliminado nas urnas.
Os “políticos”, nada mais são que empregados do povo pois, é o povo que paga seus salários ao pagar impostos, e os políticos agem como se fosse patrões: São sempre “excelentíssimos”, senhores de respeito e as pessoas devem se curvar a eles. Aliás se curvar a quê? Por quê? Gastam rios de dinheiro com verbas "papel higiênico" e acham que o processo democrático é feito de tapinhas nas costas, apertos de mãos, piadas escrotas, etc. tudo, menos com o trabalho que são pagos para fazer.
O pensamento positivista se tornou um dos principais estorvos na democracia brasileira, sem contar a ditadura militar que fez as pessoas apenas receberem e a não questionar. Esse simples ato de reflexão ou da crítica que para muitos não representa nada, diz muito da sociedade. Em outros países a crítica se faz a principal ferramenta da democracia e da formação política. Creio ter sido diante da ditadura que ocorreu o maior retrocesso dentro da democracia brasileira, uma vez que a cidadania foi semi-amputada, e que faz entender que ser cidadão é pagar impostos e mais nada.
Devemos aprender a questionar e a criticar como cidadãos politizados, cobrar nossos direitos sabendo que os “políticos” (eleitos) são nossos empregados, não são salvadores messiânicos.

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